
Não, não se trata do patriotismo barroqueiro do costume nem da saudade morninha do emigrante há muito fora da terrinha. Trata-se de raízes e de identidade, no meu caso. Afinal de contas, o que é ser portuguesa aqui e agora? Sinto vontade de cantar canções alegres porque hoje o dia está feio e chuvoso. Ponho-me a sonhar de olhos abertos olhando para fora da minha janelinha do escritório. Eu tenho amor. Estou viva. Sou portuguesa e gosto da minha língua. Não reclamo uma pátria postiça, de borracha engomada made in UE. Ensino Português como quem respira, com facilidade. Encanto-me com a diversidade, com a forma como a língua se adaptou a tantas e a tão diferentes realidades, como não é uma só de cartilha. Vibro com rumores de Áfrida e vou cantando para espantar a saudade. Poesia. Chão para andar com os pés descalços, chão para descobrir tudo o que ainda falta ver. Amanhã como hoje. Misturas de sangue, de paisagens e de luas. Depois não há quem aguente que se ponham a dizer mal do destino! Vinho tinto e sentimental.
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