Saturday, December 17, 2011

Para a minha Tia Tótó

Querida Tia, Não sei se chegaste ao céu sem mais problemas, mas também não consigo imaginar-te em mais nenhum lugar. Mereces o céu mais que todos nós, sobretudo se pensarmos em tudo o que passaste nesta vida e como sempre lutaste por ti e pelos teus. Naquele tempo não era costume serem as mulheres a ir à universidade e quem saíu a perder foram eles e nós todos, pois inteligência nunca te faltou. Trabalhando toda uma vida tanto em casa como na farmácia, sempre mantiveste tudo e todos no sítio, arrumado e bem tratado, amando a todos por igual. Já muito velhinha continuaste a cozinhar como ninguém, a ter uma palavra sábia para cada um, a andar para cima e para baixo, sempre a primeira a saltar da cama e a última a deitar-se, numa azáfama permanente. De miúda, adorava andar atrás de ti, para cima e para baixo, ir à Praça e ao pão logo de manhãzinha, ouvir as tuas explicações acompanhadas dos gestos de quem tem muita experiência, assim se escolhe o peixe mais fresco, se prepara o caldo verde, se guarda o fiambre para não virar, se dobram os sacos plásticos para não ocuparem tanto espaço, etc. Também todos os recadinhos de amor que sempre iam com preparar as comidas no Natal, por exemplo, o Zé gosta dos bilharacos pequeninos e bem molhadinhos, o teu padrinho já um pouquinho maiores e mais fofos, o Tó precisa de um bom vinho para ir com o cabrito, e a tua mãe vai chuchar as costeletas do asado uma atrás da outra como fazia quando era pequenita. Para ti, rapariga, e era para mim o último recadinho de amor, as famosas broinhas da Tia Tótó! Estas eram para mim a maior delícia gastronómica do Natal e nunca esqueçerei o gosto que me dava ajudar a prepará-las, num alguidar de barro, com o cheiro do fermento, dos pinhões e das passas. Tenho a receita, mas aqui não há uma boa parte dos ingredientes, a começar pelo fermento de padeiro. Quem diria, querida Tia, que na terra da abundância não está disponível algo tão básico tão fundamental, e quem o tem, o usa nos seus pães artesanais que custam uma fortuna e é guardado a sete chaves como um segredo industrial. Cada uma! Prefiro recordar os teus bolos de fermento numa bolinha, o nosso milagre da multiplicação das benditas broinhas de Natal e o teu conselho pessoal para mim, repetido vezes e vezes sem conta ao longo dos anos: tu tens que ter paciência, rapariga, éo que te falta. E é verdade, passados estes anos todos, aqui estou eu no mmeu nativo Português a pedir aos céus vezes sem conta: ó paciência, desce cá abaixo, e sei agora que é um eco da tua voz também. Ou que sou eu que te mando com frequência, os meus recadinhos de amor. Felizes broinhas no céu e na terra para todos!

How much is enough?

I am currently writing about indigenous postmodern/contemporary identities. The topic is thrilling and the performance pieces I analyze do bring about a fresh take on what is indigenous and who defines it, so about the intricacies of identity politics. My concern however is on not making arguments in my analysis that might read as bias, I mean, more inclined to one side of the spectrum, as I try to portray for real all the contradictions that are present precisely on anyone's identity construction. I believe that my position is strongly political, even if anchored in solid and thoroughly researched arguments, because the primary sources with which I am working, are very cleared politically marked. I don't believe in the aseptic and "scientific" academic whose pretended impartiality agenda is so admired by his peers. We all have our motives and background. We're all product of certain influences and have our own personal journey through life. However, how much is one allowed to disclose because one cares of our political agenda? In my particular case, should I try harder not to identify with certain indigenous predicaments, and instead resort to reporting mode without any analysis or interpretation on my part? How much is enough when you are speaking for the Other even though you really don't want to. I can't get over the issue of academic authority and basically want to be fair and ethical, but I'm having a lot of mixed feelings and thoughts. What's your opinion?