Já chega de andarmos todos a arrastarmos pelo chão uma dor tão pessoal que não nos permite distinguir o que vale a pena do que definitivamente não interessa nesta vida! Na verdade, não é o país que está na bancarrota, mas o sistema. Desde o 25 de Abril que fomos pioneiros em importantes e fundamentais reformas constitucionais, sociais e políticas. Só o facto que igualámos os direitos económicos e socias aos direitos mais tradicionais de cariz liberal como o direito à vida e à liberdade, foi um passo gigante a nível mundial dado pr este país nosso tão pequenino que cabe quase numa tamanquinha. No entanto, desde que a Europa descambou, e como fomos atrás deste comboio com toda a fé no futuro que nos caracteriza, claro que também descarrilámos. Ora, o que aconteceu com a Europa? Numa só palavra, e é um mal mundial, neoliberalismo. Investiguem na rede, falem com os amigos e os eruditos, e verão como a mesma tendência capitalista esmagadora denominada globalização tout court, nos levou a um descontrole desalmado dos mercados e das políticas ditas de reestructuração social a par com as económicas. Sofremos de economismo agudo! Só se fala da cifra disto e daquilo, enquanto na rua as pessoas vão manifestando o seu descontentamento por verem tudo mal parado... Não desistam. Não desanimem. Não pensem que a culpa é nossa. Sobretudo, não deixem de preparar um futuro melhor para nós mesmos e para os nossos filhos. Não cedam à histeria da catástrofe e do salve-se quem poder. Não percam de vista os ideais de Abril que tão caros nos são como nação independente com uma cultura própria. Não pensem que é melhor o Deutch Bank que Wall Street, na verdade é tudo igual. Especulação financeira baseada na vida de pessoas reais, nós e os nossos, todos os portugueses, como todos os outros europeos e todos os outros mais pelo mundo fora, a quem o todo-poderoso mercado global vê como estatísticas e cifras. Sobretudo, não pensem que é o fim. Quantas vezes estivemos à beira do abismo? Para então alguém nos dizer em voz ominosa: "Para a frente, Portugal"? O que se passa, é que por vezes o povo tem a memória curta... Acima de tudo, não desanimen, não cedam, não pensem que não há mais nada a fazer. Não se conformem. Nunca.
Deixo-vos com as palavras de Miguel Torga porque amanhã, quer o mercado queira ou não, será outro dia:
Recomeçar
Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...
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